RESENHA DE MERCADO
Essa resenha de mercado é uma produção da Via News Comunicação. Contêm as principais matérias sobre TI, Telecom e Internet publicadas semanalmente na mídia brasileira.
RESENHA DE MERCADO SEMANA DE 16 À 22 de JANEIRO DE 2009
SAP PROMOVE TRANSIÇÃO COM NOVO COMANDO NO BRASIL
O presidente e executivo-chefe da SAP para a América Latina, Rodolpho Cardenuto, lidera a transição de comando no Brasil, que envolve a implementação de novo plano estratégico, incluindo uma nova estruturação do atendimento às grandes empresas.
Com a saída de Alberto Ferreira da presidência da SAP Brasil, anunciada na última semana, Cardenuto acumulará temporariamente o seu cargo com a direção no País da empresa alemã de software para gestão corporativa. "Vinha conversando com o Ferreira desde o fim do ano para saber o melhor momento de anunciar a mudança. Mas como era período de encerramento do exercício fiscal, resolvemos deixar parar o começo deste ano. E agora começa tudo novo, com a implementação do plano estratégico, e dando a mensagem da mudança aos funcionários e ao mercado, para deixar claro que não tem nada a ver com a crise global", conta Cardenuto.
Segundo ele, Ferreira - que esteve durante um ano e meio na presidência - se comprometeu a acompanhar a empresa até março, quando deve ser iniciado um processo de seleção do seu substituto, que vai envolver candidatos internos e externos. "A previsão mais otimista é que vou acumular os cargos até abril", diz.
Cardenuto entrou na empresa na metade de 2008, para assumir a responsabilidade pelos negócios na América Latina, transmitida pelo português José Duarte, que foi realocado para comandar a região que contempla a Europa, Oriente Médio e África. Na mesma época, a gigante alemã estava tornando a América Latina uma das quatro regiões autônomas em que os negócios globais estavam divididos. Anteriormente o comando local se reportava à SAP Americas. Agora o canal com a mais alta administração é direto. Contribuiu para isso o fato de ela ter se tornado a de mais rápido crescimento de negócios no mundo, ajudada pelos bons resultados no Brasil.
Os ventos auspiciosos puderam ser bem sentidos até o 3º trimestre do ano passado, ao qual se referem os últimos resultados anunciados. A SAP Brasil registrou no período crescimento de 83,1% nas vendas de software, em comparação com a mesma época de 2007. Os resultados globais do 4º trimestre só serão divulgados no fim de janeiro. Fica difícil imaginar que as mesmas taxas de expansão possam ser mantidas com o acirramento da crise mundial, no fim do último ano, e esse é um dos grandes desafios previstos para 2009. Cardenuto reconhece que adicionar novos clientes se torna mais difícil no momento e por isso os serviços prestados à base e os clientes que trazem receita recorrente ganham importância.
A SAP pretende manter o foco nas pequenas e médias empresas, nicho que foi o principal alvo para promover o crescimento nos últimos anos. Mas principalmente está mudando a forma como atua junto aos grandes clientes. Havia apenas uma organização e forma de tratamento para todas as grandes, apesar de informalmente existir uma certa diferenciação, de acordo com o tamanho do contrato. Cardenuto explica que agora isso será estruturado. Um grupo de empresas, responsáveis por trazer mais receita, terá atendimento mais direto, com equipe própria e orçamento para isso. Outro será dividido em equipes com capacidades específicas para três setores estratégicos, de grande potencial de crescimento: serviços financeiros, comércio e setor público. E sobra um terceiro grupo para o restante das grandes empresas que são clientes. (Carlos Eduardo Valim - Gazeta Mercantil)
(Gazeta Mercantil - 22/01/2009)
MONSTER EXPANDE ATUAÇÃO INTERNACIONAL COM JOINT VENTURE
O Monster, site global de recrutamento e seleção on-line que também opera no Brasil, e a News Limited firmaram acordo para a criação de uma joint venture voltada à oferta de serviços de recrutamento on-line e mídia impressa (jornais) na Austrália. Com a aliança, o Monster expande a presença global e reforça sua posição como empresa de recrutamento e seleção pela internet.
"Com 140 jornais que alcançam quase 12 milhões de pessoas por semana, a News Limited tem o maior público no mercado australiano. E quando associada ao Monster, essa joint venture se tornará líder em carreira e recrutamento na Austrália", afirma Sal Iannuzi, presidente e CEO do Monster Worldwide.
Com o acordo, o Monster terá 50% das ações da CarrerOne, empresa de recrutamento online da Austrália. Essa parceria inicialmente levará as marcas CarrerOne e Monster, e a organização continuará operando em sua matriz em Sydney. A consolidação do acordo coloca a CarrerOne como a segunda maior empresa australiana de recrutamento on-line “A união do poder de marketing e vendas da News Limited, com a tecnologia e expertise do Monster, forma uma combinação poderosa”, disse John Hartigan, presidente e CEO da News Limited.
Mas a expansão internacional do Monster não resume a isso. Em outubro do ano passado, a empresa adquiriu a ChinaHR, pela qual pagou US$174 milhões em dinheiro para a compra dos 55% das ações que restavam para a aquisição completa da companhia. O Monster tem presença local em mercados na América do Norte, Europa, Ásia e América Latina, onde, além do Brasil, atua no México e Argentina.
(TI Inside — 21/01/2009)
COM APP STORE, APPLE MOSTRA PORQUE A UNIÃO FAZ A FORÇA
Dê uma espiada sobre os ombros de alguém que estiver usando um iPhone. A maior probabilidade é de que a pessoa esteja fazendo qualquer coisa, menos uma ligação. Ela pode estar se divertindo com algum jogo como o Tetris ou negociando ações por meio da TD Ameritrade. Pode até estar cuidando de negócios importantes, com a versão móvel do software de gestão de clientes da Salesforce.com. As possibilidades crescem a cada dia: desde que a Apple começou a deixar que outras empresas oferecessem programas para o iPhone, há seis meses, já foram criados mais de 10 mil aplicativos.
Para a Apple, trata-se de mais do que apenas diversão ou jogos. A companhia saiu na frente ao tornar o telefone celular um aparelho de computação de alta potência, capaz de rodar todos os tipos de programas.
O proprietário médio do iPhone baixou pelo menos 15 aplicativos nos últimos seis meses. O usuário de telefones da Nokia, Motorola e outras concorrentes não baixou nenhum, segundo o analista Nic Covey, da empresa de pesquisa de mercado Nielsen Mobile. "É notável o que a Apple conseguiu em tão pouco tempo", diz.
Não há garantia de que a Apple possa manter essa liderança. A decisão do executivo-chefe da empresa, Steve Jobs, de sair de cena por seis meses será um fator de distração. Além disso, a grande maioria dos 10 mil aplicativos disponíveis em sua loja App Store é gratuita ou custa apenas US$ 0,99.
Os programadores, portanto, não ganham o volume de dinheiro necessário para assentar empresas significativas. "Em termos médios, o modelo da App Store não funciona para os programadores", diz Roger McNamee, financiador da Elevation Partners, empresa de investimentos que está apoiando os telefones móveis da fabricante rival Palm. Ademais, Nokia, Research In Motion (RIM) - a dona do telefone BlackBerry - e Microsoft têm planos para lançar lojas concorrentes de software para esses usos.
Ainda assim, a Apple mostra progressos em ampliar a variedade de programas disponíveis para o iPhone. Além da Salesforce.com, a Oracle desenvolve programas de uso empresarial que possam rodar no aparelho.
Um número crescente de empresas recém-criadas cobra preços maiores pelos aplicativos com funções como edição de fotos, gestão de projetos e rotinas de exercícios físicos. A Beejive, de San Francisco, recebe US$ 16,99 por um programa que permite aos viciados em mensagens instantâneas ficar em contato com os amigos em vários serviços de mensagens ao mesmo tempo. A empresa de pesquisas Evan Data estima que 20% dos programadores de aplicativos para aparelhos sem fio agora criam software para a Apple. Há seis meses, a porcentagem era de apenas 8%. "É o maior salto que já vimos", diz o vice-presidente da empresa, John F. Andrews.
A Apple poderia tentar estabelecer uma posição nos telefones celulares similar à que a Microsoft estabeleceu nos computadores pessoais. Nos anos 80 e 90, a gigantesca fabricante de software encorajou a criação de uma comunidade forte de programadores independentes, que desenvolvia produtos para o Windows e, por sua vez, alimentava a demanda por computadores que rodassem o sistema operacional da Microsoft. Ninguém espera que a Apple atinja o nível de domínio da Microsoft, mas, para uma empresa com menos de 2% do mercado de telefonia móvel atual, as expectativas são grandes.
"A Apple poderia estar com 20% [dos telefones celulares] daqui a cinco anos", afirma o analista Ken Dulaney, da empresa de pesquisas Gartner Group. "Cada programador com quem falo quer trabalhar com eles." Com o mau momento da economia, a Apple provavelmente verá as vendas de iPhone caírem no curto prazo. O analista Richard Gardner, do Citigroup, disse em 13 de janeiro que as vendas no quarto trimestre poderiam ficar abaixo de 4 milhões de unidades, em comparação com os 6,9 milhões de aparelhos vendidos no terceiro trimestre.
O desafio da Apple com os programas será criar uma forma para que tanto a empresa como os desenvolvedores possam conquistar lucros sólidos. A companhia possui ferramentas de software que possibilitam criar aplicativos em semanas, em vez de vários meses. E fica com apenas 30% do preço de venda dos aplicativos, contra os 50% que muitas operadoras sem fio cobram. Quando o programa é gratuito, a Apple não fica com nada. E como a App Store faz parte da loja on-line iTunes, na qual 100 milhões de pessoas compram músicas, um aplicativo popular pode rapidamente ter milhões de cópias vendidas, criando audiências consideráveis, capazes de atrair a atenção dos anunciantes.
Os programadores encontram formas para ganhar dinheiro mesmo cobrando pouco ou nada pelos programas. A empresa iniciante Tapulous deu mais de 5,5 milhões de cópias de seu jogo homônimo, que testa a capacidade dos usuários em acompanhar o ritmo de músicas com ligeiras batidas no iPhone. A popularidade conquistada por meio do fornecimento gratuito atraiu anunciantes e persuadiu o executivo-chefe da empresa, Bart Decrem, a começar a cobrar US$ 4,99 por uma versão com mais funções. Decrem diz que, somando as vendas de programas e a receita com publicidade, a empresa, composta por dez pessoas, conseguiu passar a obter lucro em dezembro, seis meses antes do programado.
A corretora TD Ameritrade oferece programas de negociação de ações de graça e ganha dinheiro com a comissão cobrada pelas operações. Também não é preciso pagar nada pelo software. Uma empresa na Argentina formada por cinco pessoas, chamada iStockTrader, desenvolveu o programa em troca de uma parte de cada negociação acionária.
Os concorrentes da Apple ressaltam que o mercado está apenas nos seus primórdios. A Nokia, líder na fabricação de telefones móveis, desenvolve sua própria loja de aplicativos ao mesmo tempo em que pode ajudar os programadores a ter seus programas pré-instalados nos telefones celulares, de forma que os clientes não precisam nem baixar o software.
A estratégia poderia acabar sendo mais rentável para o programador do que fazer parte da App Store, da Apple. "Queremos ganhar dinheiro para nós e para nossos parceiros mantendo o valor, para que o preço não gravite em direção ao zero", diz Tero Ojanperä, vice-presidente executivo da Nokia Services.
Ainda assim, o executivo-chefe da fabricante de software de música Shazam, Andrew Fisher, vê os programadores orbitando em torno da Apple, atraídos pela força da empresa neste momento. É uma mudança em relação ao mercado de computadores pessoais, onde os melhores aplicativos apareceram primeiro em máquinas com o Windows e algumas vezes apenas nelas. Desta vez, quem está se beneficiando é a Apple. "Essa é a posição que a Apple edificou", diz Fisher. "[Quanto mais programas eles oferecem], mais argumentos há para as pessoas comprarem iPhones."
(Valor Econômico - 21/01/2009)
PORTABILIDADE BENEFICIA GVT E EMBRATEL EM TELEFONIA FIXA
A portabilidade numérica, benefício que permite ao usuário mudar de operadora sem alterar o número do telefone (móvel ou fixo), já é realidade em 63% do território nacional e rendeu à Global Village Telecom (GVT), empresa de telecomunicações controlada pelo fundo norte-americano de investimentos Swarth Investments, uma vantagem - ela recebeu 40% de todos os números fixos portados no País, dividindo a liderança do ranking com a Embratel, da holding mexicana Telmex, que já ganhou cerca de 33 % dos telefones fixos migrados.
De acordo com levantamento feito pela ABR Telecom, que é responsável pela estruturação da portabilidade numérica no País, cerca de 239.345 clientes da telefonia fixa e móvel pediram para trocar de operadora e manter o número do telefone nesses primeiros quatro meses de vigência da facilidade. Deste montante, 66% são clientes de operadoras móveis e 34% da fixa. Cerca de 1.710 pedidos de mudança são contabilizados por dia nos locais em que a portabilidade já chegou.
Ricardo Sanfelice, diretor de Marketing e Produtos da GVT, atribui os bons resultados da portabilidade a grande preparação da empresa que investiu, em 2008, um montante de R$ 471 milhões em expansão de redes, compra de equipamentos para banda larga e expansão geral do negócio. Só para a chegada da portabilidade, foram aportados mais R$ 17 milhões, utilizados para aprimoramento de sistemas de Tecnologia da Informação (TI), para adequar a infraestrutura de comunicação da GVT à chegada da portabilidade.
De acordo com Sanfelice, "os bons resultados são consequência de toda a nossa preparação para a chegada da portabilidade. Além disso, a nossa banda larga ajuda a trazer os clientes das outras operadoras pelos pacotes personalizados que ofertamos. Hoje, cerca de 66% dos nossos clientes já têm banda larga, sendo que, nas outras operadoras, essa marca não passa de 15%", explica.
O executivo conta que a companhia conquistou 61% dos telefones fixos portados nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde concorre com a nova Oi, controlada pela Telemar Participações, NET, da holding mexicana Telmex, e Sercomtel, em Londrina, única empresa pública do setor, que tem seu controle divido pela Prefeitura de Londrina e pela Companhia Paranaense de Energia (Copel).
Especificamente na região onde predomina o DDD 41, que abrange 36 cidades entre o litoral paranaense, Curitiba e região metropolitana, a GVT ganhou 84% dos números que pediram a portabilidade, um total de 523 solicitações no primeiro dia em que o benefício chegou à região. "Quando a portabilidade entra na cidade, temos picos de crescimento nas vendas entre 30% e 45%. O maior índice que tivemos foi quando a portabilidade chegou a Goiânia", disse o executivo. A cidade de Salvador, na Bahia, lançada pela GVT em setembro de 2008, entrou na portabilidade no dia 24 de novembro e teve aumento de 91% nas vendas na primeira semana.
Apesar do cenário delicado e incerto da economia, Sanfelice garante que a GVT não notou nenhuma desaceleração de demanda. "Devemos continuar crescendo às mesmas margens dos outros anos. Só no último trimestre de 2008, crescemos 34% em receita e 42% em lucro, se compararmos com os mesmos períodos de 2007", argumentou
Planos
Já a Embratel, que divide a liderança de recepção de números portados com a GVT, conquistou mais de 16 mil terminais fixos para sua base (contando com os planos Livre Embratel, Net Fone, Embratel PME). "Esse total representa aproximadamente um terço dos terminais fixos portados até o momento no País", explicou Mauricio Vergani, diretor da Embratel.
O plano residencial Livre Embratel, criado há quatro anos, é um dos que mais chama a atenção dos clientes fixos residenciais, já que é isento de assinatura mensal e pode ser adaptado aos planos pré ou pós-pago, dependendo do perfil de cada consumidor. "Acreditamos que a portabilidade numérica representa um avanço para o setor de Telecomunicações e o consumidor é o principal beneficiário desta situação.
O Net Fone, que ajudou a Embratel na conquista de clientes de outras operadoras, já tem 1,5 milhão de clientes e atrai por estar incluso em um combo da NET, que oferta TV, telefone e Internet por R$ 39,90 mensais. "Para cada dez clientes que chegam na Net, apenas um está saindo", conta Márcio Carvalho, diretor de Produtos e Serviços da Net, controlada pela mexicana Telmex.
José Luiz Marussi, da parananese Sercomtel, afirma que a companhia vem realizando ações de marketing (telemarketing e venda direta) para atrair os clientes das outras operadoras, e ao mesmo tempo, tentar reter os da companhia. "Observamos que nas primeiras semanas, ocorreram migrações espontâneas, depois passaram a ser incentivadas pelas operadoras", disse Marussi.
O executivo conta que a companhia criou um grupo específico para analisar a portabilidade na região, que se reúne duas vezes por semana para avaliar o que foi constatado. "Estamos analisando o perfil de cada cliente nosso e, caso seu plano não esteja de acordo com o consumo mensal, entramos em contato com ele para tentar oferta um que seja mais adequado", explicou.
Marussi acredita que, desta forma, o cliente estará menos exposto a uma migração, caso a concorrente também entre em contato com ele. "Se perdemos 100 clientes, estamos ganhando 115", argumentou.
Eduardo Tude, do Portal Teleco, afirma que a iniciativa vem mudando o comportamento das operadoras. "Temos visto um esforço grande das empresas para reter seus clientes" , disse.
(DCI – 21/01/2009)
LUCRO DESPENCA E ERICSSON ANUNCIA CORTES
Depois de ver seu lucro líquido despencar 31% no quarto trimestre de 2008, para 4,1 bilhões de coroas suecas (cerca de US$ 478 milhões), ante 5,8 bilhões de coroas suecas (o equivalente a US$ 670,1 milhões) em igual período do ano passado, a Ericsson anunciou que demitirá 5 mil funcionários como medida de um plano de reestruturação para conter gastos. Os cortes foram confirmados pela fabricante sueca, apesar de a receita ter crescido 23% no período, para 67 bilhões de coroas suecas (US$ 7,96 bilhões). A meta da companhia com o programa é economizar 10 bilhões de coroas suecas (equivalente a US$ 1,18 bilhão) por ano, a partir do segundo semestre de 2010. Apesar da queda no lucro, o resultado da empresa superou as expectativas dos analistas. No consolidado do ano, a empresa contabilizou receita de 208,9 bilhões de coroas suecas (US$ 24,8 bilhões), um incremento de 11% em relação a 2007. Na mesma comparação, o lucro caiu 48%, ficando em 11,3 bilhões de coroas suecas (US$ 1,34 bilhão).
(TI Inside - 21/01/2009)
'PAI' DA WEB DEFENDE O USO LIVRE DE INFORMAÇÕES
O futuro da internet será definido pelo público jovem, com a criação de dezenas de inovações das quais ainda não há sequer indícios, diz o programador inglês Tim Berners-Lee - considerado o pai de alguns dos padrões que permitiram a expansão da rede mundial, como o HTTP e a linguagem de programação de páginas HTML. "A web é uma imensa plataforma, uma tela em branco pronta para receber criações com as quais eu nunca sonhei", disse Lee, ontem, em São Paulo, na abertura da Campus Party. Seis mil pessoas inscreveram-se para participar das atividades do evento de tecnologia, que terá sete dias de duração. Ao todo, a previsão é de que a Campus Party receberá 300 mil visitantes.
Uma das pessoas mais aguardadas, Lee foi recebido como uma estrela de cinema, com intensas salvas de palmas no início e no fim de sua apresentação sobre a evolução da web. Ele correspondeu às expectativas do público, falando sobre sua visão de uma rede aberta, baseada em padrões não-proprietários. Segundo essa concepção, os dados pessoais que circulam na rede não pertencem a nenhuma empresa ou serviço. Podem, portanto, ser usados livremente, respeitando-se os limites definidos pelo próprio usuário.
Para Lee, chega de criar centenas de cadastros nas diferentes redes sociais ou em sites da internet. O caminho para a web, segundo o programador, é unificar essas formas de acesso. É isso o que permitiria reunir de maneira mais fácil as bases de dados disponíveis na rede, facilitando ao usuário o trabalho de criar novos conteúdos com base nas informações já existentes. "As empresas não precisarão mais criar peças de publicidade porque as pessoas farão isso com os dados que têm disponíveis na internet", projetou ele.
Um outro exemplo desse novo ambiente, batizado de Web 3.0 ou Web Semântica, seria um determinado órgão de governo oferecer indicadores sociais ou resultados de suas atividades sem muita preocupação com a apresentação dos resultados. Os próprios cidadãos poderiam montar uma leitura desses dados da maneira que quisessem, de forma ágil e livre.
Lee elogiou a proposta do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de oferecer ao público um volume maior de informações relativas ao governo. "Existe uma onda muito forte de 'linked data' [livre associação de dados diferentes pelo usuário], e o governo Obama chega na hora certa para surfar nessa onda."
(Valor Econômico - 21/01/2009)
VIGOR DE 2008 NÃO SE REPETIRÁ EM 2009, QUE CRESCERÁ MAIS DEVAGAR
O desempenho do setor de telefonia celular em 2008 acabou por surpreender as previsões mais otimistas, alavancado pela acirrada competição. "A chegada da Oi em São Paulo e da Vivo no Nordeste , mais o estímulo da portabilidade (mudar de operadora levando o mesmo número) e da tecnologia de terceira geração (3G), que permite tráfego de dados e acesso à internet, são as principais causas para tal desempenho", disse o presidente da consultoria e site especializado em telecomunicações Teleco, Eduardo Tude.
O executivo referia-se aos 29,7 milhões de novos usuários conquistados pelo setor ao longo do ano passado, conforme divulgou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), totalizando uma clientela de 150,6 milhões de brasileiros-donos de um telefone celular ou um acesso à internet.
No ano passado, a surpresa veio da Oi e da Vivo, que avançaram velozmente, adquirindo respectivamente 7 milhões e 7,6 milhões de usuários. Se somarmos a BrT com a Oi, sua controladora atual, o número se eleva a 8,3 milhões de aquisições no ano.
O maior crescimento, porém, ficou com a Claro, que já vinha galgando boa posição no ranking há mais tempo, e totalizou o ingresso de 8,5 milhões de novos usuários. A TIM também registrou expansão acelerada no começo do ano passado, mas arrefeceu ao longo do período, somando 5,1 milhões no acumulado de 2008.
2009 menos otimista
As perspectivas para este ano não são tão otimistas como 2008, embora o crescimento deva ser mantido. "Agregar 25 milhões de novos clientes é uma perspectiva boa de expansão", disse Tude.
A expectativa é de que as quatro operadoras móveis continuem crescendo, inclusive a TIM, que desacelerou na segunda metade de 2008.
A taxa de penetração de 79,2 pessoas, em cada grupo de cem, portando seu celular não representa ainda, segundo Tude, o limite do potencial brasileiro. Por isso, o Teleco estima que 25 milhões de novos usuários sejam agregados ao universo de 151 milhões, levando a um contingente de 176 milhões de pessoas.
Nova abordagem
Nos estudos do Yankee Group, de origem americana e foco no mercado mundial de telecomunicações, as operadoras que atuam no País terão de exercer nova abordagem mercadológica se quiserem manter o crescimento este ano. "A taxa de penetração está alta, levando à necessidade de as operadoras adotarem uma abordagem mais complexa, contendo planos de serviços segmentados e com foco na baixa renda", disse o consultor sênior no Brasil, Júlio Puschel.
Exemplo de plano mais sofisticado e visando o dono de um pré-pago é o pacote com ligações baratas entre São Paulo e Nordeste, para quem está no Sudeste e mantém família no Nordeste. "A Oi pode fazer isso sem muito custo dentro de sua rede, uma vez que possui infra-estrutura de telefonia fixa e celular em todo o Brasil", disse o consultor.
Há muitos outros exemplos de serviços inovadores e que poderiam criar um segmento da demanda que ainda não está incluído por falta de poder aquisitivo.
Segundo Puschel, as operadoras ainda estão muito focadas na competição baseada em preço e quantidade, o que lhes retira a flexibilidade e poder de detalhamento. "Sei que existe um bom porcentual de clientes pré-pagos que costumam gastar R$ 50 ou mais mensalmente". Isso indica que não estão no segmento certo, e que poderiam usufruir de serviços melhores no sistema pós-pago, se fosse percebidos dentro da rede e migrados, disse Puschel.
Segundo suas previsões, as taxas de penetração regionais poderão ser trabalhadas por ofertas de serviços criativas, de tal forma que obtenham crescimento. Puschel cita que os 70% de penetração da região 1 (área da Oi) estão abaixo da média e precisam ser objeto de promoções criativas. "No Norte e Nordeste essa taxa é bem mais baixa, de 55% a 60%", disse o consultor, "enquanto no Rio e em São Paulo, ela se eleva a 96% e 89%".
Na região 2 (São Paulo), a média de penetração é de 85% e na região 3 (BrT), 89%.
Banda larga individual
A introdução da terceira geração (3G) trouxe a banda larga individual, pois na infra-estrutura fixa havia apenas a banda larga para grupos. Essa é uma mudança importante para o diretor da área de consultoria da Promon Logicalis, de redes, Luis Minoru. "Em 2009 a tendência de personalização vai continuar, a princípio sem que os usuários se incomodem tanto se a cobertura da rede de dados é tão abrangente ou se não existe roaming em todas as localidades", afirmou Minoru.
O especialista acredita que as operadoras vão cada vez mais ampliar a oferta de serviços novos de conteúdo, para o que farão parcerias e lançamentos. "Os atuais SMS e e-mails vão dar lugar a uma gama variada de jogos e ofertas de mídia mais diversificadas", disse.
O consultor citou o sucesso do iPhone no Brasil dizendo que o telefone da Apple representou um marco em que o celular evolui de comunicador de voz para ferramenta de acesso veloz à internet individual. Os celulares estão ficando cada vez mais sofisticados e acessíveis, inclusive com pagamentos parcelados em muitas vezes.
Trimestre mais fraco
As perspectivas para o primeiro trimestre de 2009 são baixas pela falta de data comercial que alavanque as vendas. "Vai ser mais fraco que o período de janeiro a março de 2007", previu Puschel, do Yankee Group. Mas não servirá de base para se conhecer o comportamento do ano. "O dia das mães é que vai indicar um parâmetro", acredita o consultor. O câmbio também terá sua influência na composição da oferta das operadoras.
(Gazeta Mercantil - 20/01/2009)
AUDITORIAS RETOMAM LUTA POR CONSULTORIA
Quase uma década depois de ter vendido seus negócios de tecnologia, três das quatro grandes empresas de auditoria vêm intensificando sua atuação em consultoria empresarial, um filão lucrativo e de crescimento acelerado.
Nos últimos dois anos, PricewaterhouseCoopers (PwC), Ernst & Young e KPMG reforçaram equipes e orçamentos, reduzidos drasticamente na esteira dos escândalos empresariais do início da década.
Depois da quebra da companhia de energia americana Enron no fim de 2001, fato que no ano seguinte levou ao colapso seu auditor, a Arthur Andersen, a KPMG e a PwC venderam seus braços de consultoria para a Atos Origin e IBM, respectivamente. A Ernst & Young já havia vendido sua unidade para a Capgemini, em 2000.
Nos últimos anos, porém, o cenário voltou a mudar. A Deloitte, única das chamadas "big four" que mantiveram sua consultoria empresarial, já sente os concorrentes de novo nos seus calcanhares. Depois do período de letargia, as auditorias voltaram a reforçar o bloco de consultores. "A evolução da nossa área de consultoria tem sido consistente, cresce entre 20% e 25% por ano", diz Frank Meylan, sócio de consultoria da divisão de TI da KPMG no Brasil. "A área mais que dobrou nos últimos três anos."
Dos 450 profissionais de consultoria da KPMG, 150 são funcionários com perfil técnico, diretamente ligado à tecnologia. "Hoje, consultoria é o serviço que mais cresce na companhia, e a divisão de TI é uma das áreas mais importantes desses serviços."
O mesmo número de pessoal de informática atua na divisão de consultoria da Ernst & Young. Com 100 clientes de consultoria de TI na carteira, a divisão de negócios cresce em torno de 20% ao ano. Entre as 12 áreas de negócios de consultoria da empresa, diz Alberto Fávero, sócio de segurança da informação e TI da Ernst & Young, a divisão de informática já abocanha 30% dos negócios.
O rival mais agressivo nessa disputa, no entanto, vem sendo a PwC, que mais recentemente decidiu concorrer em todos os serviços que a Deloitte, a seu modo, nunca deixou de oferecer.
Enquanto KPMG e Ernst & Young atuam em duas fases mais estratégicas de consultoria - o levantamento da situação da empresa e, conseqüentemente, o redesenho de suas operações -, a PwC decidiu partir para briga e dar um terceiro passo, que até pouco tempo atrás só a Deloitte detinha: a implantação, integração e, se for preciso, o desenvolvimento de sistemas.
A decisão de colocar a mão na massa foi tomada há dois anos, quando expirou uma cláusula de contrato que a PwC mantinha com a IBM. "Havia uma regra de só fazermos consultoria estratégica e não competir em implementação de TI", comenta Ricardo Neves, sócio da área de consultoria de TI da PwC. "Depois que o acordo venceu, nós voltamos para esse mercado."
Na KPMG e na Ernst & Young, a decisão de não atuar como um "integrador" de software baseia-se no argumento de que é preciso ter uma posição mais neutra para apoiar o cliente em suas decisões. "Aqui nós elaboramos planos, estamos em uma categoria de serviço táticos", afirma Frank Meylan, da KPMG.
Para a PwC, porém, a implantação de tecnologia não diz respeito à falta de neutralidade. "Desafiamos qualquer um que queira colocar o tema da independência em questão", diz Ricardo Neves, da PwC. "Estamos crescendo porque não temos acordos de exclusividade com fornecedores de TI. O cliente quer parceiros que não estejam contaminados por outros interesses que não o de atendê-lo."
A implantação de sistemas, segundo Neves, tem sido uma ponte para que a PwC possa vender serviços mais rentáveis, de consultoria estratégica. "A implementação em si é quase commodity, mas é interessante porque traz longevidade aos contratos."
Hoje, a PwC tem 200 pessoas atuando em consultoria de TI, das quais 120 estão mais atreladas a projetos de segurança da informação. O volume dobrou nos últimos dois anos e a previsão de crescimento para 2009 é de 40%.
A Deloitte não pretende facilitar a vida do seu principal rival e aposta no fato de não ter aberto mão dos serviços de consultoria, como fizeram seus concorrentes no passado. Hoje, a empresa mantém, inclusive, parcerias globais com fornecedores como SAP, Oracle, CA e IBM. "Nós usamos isso como uma vantagem competitiva", diz Ricardo Balkins, sócio que lidera a área de consultoria empresarial da Deloitte. "Duplicamos de tamanho nos últimos quatro anos e vamos triplicar nos próximos três."
Embora venha assistindo à reaproximação de velhos concorrentes de consultoria, a Deloitte não acredita que - com exceção da PwC - suas rivais devam retomar o aparato dos serviços de implementação de sistemas que já tiveram no passado. "A decisão de atuar ou não em implantação de TI é uma decisão de negócio, não há impedimento para isso", diz Juarez Lopes de Araújo, presidente da Deloitte. "Acontece que remontar uma área dessas não é algo simples e fácil."
O crescimento acelerado e os ganhos substanciais, se comparados ao mercado relativamente estável e muito regulamentado de auditoria, é a atração principal da consultoria. Segundo Araújo, o faturamento dos segmentos de consultoria já ultrapassou a auditoria. Há dois anos a participação da auditoria era de aproximadamente 60%. No ano fiscal 2008, encerrado em maio, caiu para 45%.
A PwC não se sente intimidada. A divisão de auditoria da companhia responde por cerca de 70% dos negócios, mas a tendência é que os contratos de consultoria também passem a ganhar mais peso. "Dentro de consultoria, os negócios de TI já respondem por 15% dos negócios. Nos próximos anos, essa participação deverá saltar para algo em torno de 25%", diz Ricardo Neves, da PwC. "Voltamos para esse mercado; o cliente passou a ter mais opções de escolha."
(Valor Econômico - 20/01/2009)
EMC QUER ENTRAR NOS MERCADOS DE PMES E DOMÉSTICO DO PAÍS
A EMC, empresa americana de soluções de gerenciamento de informação, prepara sua entrada no mercado brasileiro de PMEs e doméstico, após comprar, em junho passado, a Iomega, especializada em hard disks externos e redes de storage de pequeno porte.
A iniciativa integra a estratégia global da EMC, que enxerga nesses mercados o potencial de levar o conceito de redes de storage ao nicho de 130 milhões de equipamentos domésticos em todo o mundo, explicou o vice-presidente mundial da empresa, Joel Schwartz, em coletiva nesta terça-feira, em São Paulo.
Em meados da década de 90, disse o executivo, a EMC experimentou crescimento significativo ao introduzir no mercado corporativo o conceito de redes de storage. A mesma oportunidade que enxergamos naquela época, vemos agora nos nichos de pequenas e médias empresas e doméstico.
Ao largo da crise
Perguntado sobre as perspectivas dessa estratégia, considerando que a maior feira de varejo do mundo, a NRF, terminou recentemente nos próprios EUA e a projeção de que a crise global deve se estender pelos próximos dois anos, Schwartz ainda assim se mostrou otimista.
Com a Iomega, explicou, temos apenas 20% de market share desse mercado de hard disks externos. Ou seja, há ainda 80% a serem conquistados. Mesmo que a crise reduza o mercado à metade, ainda haverá muita margem para crescimento.
O executivo disse que quando uma empresa orienta sua estratégia pela participação no mercado, adquire maior margem de manobra no enfrentamento das situações difíceis. Além disso, mesmo com a crise as pessoas não deixarão de comprar computadores e baixar arquivos, acrescentou destacando que 70% da produção total de dados é gerado pelos consumidores; esse volume cresce à taxa de 60% ao ano, enquanto os preços de equipamentos e programas para o armazenamento desses arquivos cai em média 33% ao ano.
Outro ponto favorável para a estratégia da EMC, segundo Schwartz, é o crescimento do consumo de netbooks dispositivos entre os smartphones e os notebooks, com acesso à internet e menor capacidade de processamento que os lap tops. Quem tem um notebook vai preferir comprar um hard disk externo com funcionalidades de rede de segurança, por 500 dólares, em vez de comprar um notebook por 800, argumentou.
(Decision Report - 20/01/2009)
REATIVAÇÃO DA TELEBRÁS PROVOCA DISPUTA ENTRE GRUPOS DO GOVERNO
Mais de dez anos após a privatização do setor de telefonia, a Telebrás volta a estar no centro de uma disputa silenciosa entre grupos do governo que têm visões divergentes sobre o destino que deve ser dado à estatal.
Uma vertente defende a revitalização da Telebrás, para que ela volte a ser uma empresa com atividades operacionais. A idéia seria transformá-la numa gestora dos serviços de telecomunicações do governo federal e uma provedora de infra-estrutura para redes de banda larga. Essa proposta é encabeçada pelo secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, e conta com a simpatia de alguns funcionários do Ministério das Comunicações.
Outra ala avalia que o melhor é que a estatal permaneça como está, cumpra suas obrigações judiciais e caminhe para a extinção, conforme prevê a Lei Geral de Telecomunicações (LGT). O ministro das Comunicações, Hélio Costa, está mais alinhado a esse grupo.
As divergências ficaram mais nítidas na virada do ano, quando a Telebrás comunicou ao mercado que receberia um aumento de capital de R$ 200 milhões da União, sua controladora. O mesmo aporte chegou a ser anunciado no fim de 2007, mas não foi feito. Na época, o governo alegou que os recursos serviriam para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro da estatal e investir no "Programa de Inclusão Digital e da Universalização da Banda Larga no Brasil".
Agora, é mais provável que a injeção de recursos seja realizada. Uma fonte ligada ao Ministério das Comunicações afirmou que o dinheiro já está disponível. Falta apenas a formalização em assembléia geral extraordinária. Porém, no comunicado mais recente, a Telebrás não fez nenhuma menção à existência do plano de expansão da banda larga.
Santanna é engenheiro mecânico e trabalhou com a atual chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, no governo do Rio Grande do Sul. O secretário já se reuniu algumas vezes com a ministra para debater o tema. Estão também envolvidos os Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Educação. Desde 2006, há estudos de profissionais da Rede Nacional de Pesquisa sobre formas de usar a rede da Eletronet desde 2006. Eletrobrás também acompanha as discussões.
O grupo ligado a ele acalenta o plano de utilizar a rede da Eletronet para a prestação de serviços de telecomunicações, sob a gestão da Telebrás. Não é a primeira vez que essa idéia vem à tona e não seria fácil colocar o projeto de pé. A tentativa mais recente foi em 2007.
A Eletronet, que está em processo de falência, tem 16 mil quilômetros de fibras ópticas nas linhas de transmissão de empresas de energia controladas pela Eletrobrás. O controle da companhia pertencia à AES Bandeirante, mas ela foi afastada da gestão em 2002 por não pagar fornecedores. A Eletrobrás detém a participação restante e defende, na Justiça, o direito de retomar para si a infra-estrutura da Eletronet que está ociosa - ou seja, quase a sua totalidade.
Um interlocutor favorável ao plano de reativar a Telebrás afirma que as fibras da Eletronet poderiam funcionar como um backbone para redes de banda larga. Backbone é o nome que se dá ao núcleo de uma rede de telecomunicações, ou seja, à parte que tem grande capacidade de transmissão de dados.
Outra atividade importante da companhia seria prestar serviços de comunicação aos órgãos de governos e gerir a contratação de empresas, hoje dispersa em uma série de processos de licitação.
Uma proposta ainda mais ambiciosa, defendida por uma ala mais radical, prevê tornar a Telebrás a responsável pela comunicação estratégica do país - como a das Forças Armadas. "Daqui a alguns anos, ela poderia operar satélites. Por que não", observou fonte que acompanha o assunto. Hoje, os satélites de comunicação das Forças Armadas são controlados pela Star One, subsidiária da Embratel, que por sua vez pertence à mexicana Telmex.
"Ninguém quer tirar mercado das operadoras privadas e o governo nem teria condições de competir com elas. Mas podemos oferecer esse backbone como um insumo", afirmou essa fonte. Segundo esse interlocutor, a Telebrás poderia alugar essa rede para pequenos provedores interessados em construir redes locais para oferecer acesso à internet em determinadas áreas. As próprias operadoras poderiam utilizar essa infra-estrutura para chegar a regiões onde ainda não têm redes de banda larga por não ser economicamente viável bancar o investimento.
Embora esse grupo argumente que não há interesse em competir com as teles privatizadas, duas delas têm seus próprios backbones de alcance nacional: a Embratel e a Oi (após a compra da Brasil Telecom).
"Esse dinheiro (R$ 200 milhões) não dá nem para começar um projeto desse porte", afirmou fonte de uma operadora privada.
Após a privatização, a Telebrás deixou de ter uma atividade operacional que lhe servisse como fonte de receita. A estatal passou a se manter com o rendimento de aplicações financeiras que fazia com o dinheiro que tinha em caixa.
A empresa, hoje, é apenas uma casca. Com o intuito de preparar o terreno para a privatização do setor de telecomunicações, em 1998, o governo promoveu uma cisão parcial da Telebrás. A companhia foi dividida em dezenas de companhias operacionais - que foram levadas a leilão - e uma não-operacional, que permaneceu estatal e manteve o antigo nome. A essa pequena Telebrás remanescente caberia preparar um plano para sua futura liqüidação - o que incluía equacionar uma série de ações judiciais existentes contra a estatal e até contra as partes privatizadas. A empresa também cedeu boa parte de seus funcionários para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que ainda não tinha uma estrutura própria.
Mas a situação deteriorou-se sensivelmente a partir de 2006, quando perdeu uma ação movida contra ela pela VT UM, que, no início dos anos 90, promovia serviço de 0900 na TV (sorteios de que os espectadores participavam por meio de ligações tarifadas) e tinha como principal acionista o empresário Uajdi Moreira.
A Telebrás fechou acordo por meio do qual deveria pagar R$ 95,5 milhões à VT UM, além de ceder a ela quase R$ 160 milhões em direitos creditórios que poderia obter em outras ações judiciais.
O secretário Rogério Santanna foi procurado pelo Valor na semana passada, mas estava em férias. No Ministério das Comunicações, a informação era de que o ministro Hélio Costa também estava em férias e voltaria ao trabalho hoje. A reportagem tentou falar diretamente com o ministro, mas não foi atendida. Na sexta-feira, o Valor procurou o presidente da Telebrás, Jorge da Motta e Silva, mas ele não concedeu entrevista até o fechamento desta edição.
As especulações intermitentes sobre os novos rumos da Telebrás alimentam a alta das ações da estatal. Embora os negócios sejam poucos, notam-se picos de valorização nos momentos em que notícias sobre a retomada das atividades da estatal vêm à tona.
(Valor Econômico - 19/01/2009)
SERVIÇO DE ROAMING EM TELEFONIA MÓVEL PODERÁ SER OBRIGATÓRIO
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 4302/08, do deputado Mário Heringer (PDT-MG), que obriga as operadoras de telefonia móvel a oferecer serviços de roaming interestadual, independentemente de acordo prévio sobre o serviço entre elas. "Por não estarem obrigadas a fazer acordo sobre roaming, as operadoras acarretam prejuízo aos direitos dos consumidores, já que o serviço prestado não oferece uma efetiva cobertura", justifica o autor.
O serviço de roaming permite ao usuário obter o sinal de telefonia em áreas fora da localidade geográfica onde o celular está registrado. Para que seja possível utilizar um celular em roaming é preciso que a operadora, ou outra com a qual ela tenha acordo sobre o serviço, disponha de tecnologia compatível à do celular em uso.
Um celular com tecnologia GSM, por exemplo, só fará roaming em redes GSM. Daí a necessidade de que haja acordo de disponibilização do serviço entre diferentes operadoras com a mesma tecnologia.
Para resolver o problema, o projeto também determina que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), além de fiscalizar o cumprimento da realização das chamadas em roaming, regulamente soluções técnicas para compatibilizar tecnologias diferentes.
Tramitação
A proposta, que tramita em caráter conclusivo, será analisada pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
(DCI – 19/01/2009)
VIVO AMPLIOU FATIA, TIM E OI PERDERAM
Os dados de divisão de mercado do setor de telefonia celular divulgado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) relativo a dezembro 2008 foi positivo para a Vivo e negativo para a TIM e Oi, na avaliação da corretora Ativa A Claro ficou estável.
A Vivo liderou a conquista de novos clientes com 42,5% das adições líquidas. A Claro manteve o segundo lugar, com 37% das adições. A TIM perdeu 0,4pp de fatia no mês, com 9,5% das adições, e a BrT, 7,4%, enquanto a Oi adicionou 2,3% .
Sem precisar números, a Oi informou à Ativa ter promovido uma limpeza de base, justificando a redução do avanço.
(Gazeta Mercantil - 19/01/2009)
CEARÁ IMPLANTA FIBRA ÓPTICA PARA CONECTAR POPULAÇÃO
Proliferam pelo país as chamadas "cidades digitais", em que prefeituras criam suas redes de banda larga para conectar a população à internet. Em âmbito estadual, o Ceará foi um dos primeiros a adotar um projeto do gênero: partiu para a instalação de fibra óptica. Inicialmente, a infra-estrutura deverá ser implantada numa área onde vive 82% da população urbana.
O governo cearense vê com bons olhos a revitalização da Telebrás e o uso da rede da Eletronet para ter um sistema alternativo à sua própria infra-estrutura.
O presidente da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), Fernando Carvalho, afirma que foi a Brasília quando soube da intenção de grupos do governo de transferir à Telebrás a gestão da rede da Eletronet. "Estivemos em várias reuniões com a ministra Dilma (Roussef), mas ela alertou que, com a falência da Eletronet, existia o passivo sub judice. Em vez de esperar, optamos por construir a nossa rede, mas continuamos interessados na parceria" afirma.
Segundo Carvalho, logo depois que Cid Gomes (PSB) assumiu o governo do Estado foi identificado que havia uma despesa anual da ordem de R$ 35 milhões com telecomunicações. Diante disso, começaram a ser estudadas alternativas para reduzir os gastos. Uma das primeiras idéias foi a busca de parcerias, mas diante da demora o governo optou por partir para a construção de rede própria.
Foi realizada uma concorrência. Venceu a construtora Schain. O projeto de instalação das fibras, orçado em R$ 49 milhões, deverá ter sua primeira etapa concluída em meados deste ano. A rede total terá 2,5 mil quilômetros e passará por vários municípios do interior, além da capital Fortaleza.
"Nosso objetivo não é criar uma empresa estatal para oferecer serviços de telecomunicações. Queremos usar nossa rede como uma ferramenta da desenvolvimento e de redução de custos. Há locais no Estado onde a operadora não chega, temos um monopólio que não investe por que não vê retorno imediato. Havia metas de instalar a telefonia em todos os locais com população acima de 100 habitantes, mas há metas (de universalização) que foram trocadas pelo projeto de levar banda larga às escolas", afirma.
O projeto tem parceria com a Companhia Energética do Ceará (Coelce), Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) e TV Ceará, que vão interligar redes próprias à do governo do Estado.
Outra parceria é a Rede Nacional de Pesquisas (RNT), que interliga instituições de pesquisas, universidades e está à frente do programa Redes Comunitárias de Educação e Pesquisa (Redecomep). Financiada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), ela está em expansão e prevê atingir todo o país com 27 redes em todos os Estados ainda no decorrer deste ano. A maior delas e com mais capacidade ficará no Rio de Janeiro.
Há empresas como Eletronorte, no Pará, e Neoenergia, na Bahia, que firmaram parcerias para ampliação da rede da Redecomep. O governo do Ceará fez o mesmo. Lá, o objetivo é interligar 80 escolas estaduais e orgãos públicos. No projeto, a chamada última milha, que conecta a rede ao destino final, utiliza infra-estrutura sem fio.
Carvalho diz que, se o Estado fosse usar serviços da concessionária de telefonia, em muitos locais não haveria velocidade de transmissão para prestar alguns serviços, como o videoconferência - tecnologia que poderia se tornar auxiliar no sistema de ensino. "Por isso, chegamos à conclusão que seria mais vantajoso montar nossa própria infra-estrutura. Fortaleza já está toda com fibra, são 120 quilômetros", afirma.
Carvalho conta que há outros Estados implementando ou buscando projetos próprios. Ele diz que estão sendo trocadas experiências com os governos do Maranhão, Bahia, Pará, Rondônia, Piauí.
(Valor Econômico - 19/01/2009)
CISCO PLANEJA ENTRAR NO MERCADO DE SERVIDORES, AFIRMA JORNAL
Nos próximos meses, a Cisco Systems deve liberar um produto que ameaça causar uma grande agitação no setor de tecnologia e colocar a empresa em rota de colisão com parceiros tradicionais como a HP e IBM. Trata-se de um servidor equipado com software virtualização, uma jogada ousada da fabricante de equipamentos de rede no competitivo mercado de servidores. O lançamento faz parte da estratégia da Cisco de crescer além do segmento de infraestrutura de internet.
Durante anos, a empresa manteve seu foco na venda de switches e roteadores, mercado em que ela domina, com US$ 40 bilhões por ano em receitas e 65% de margem de lucro bruto. Os grandes fabricantes de computadores, incluindo HP, IBM e Dell, tiveram até agora um relacionamento benéfico com a empresa e sem choque de interesses: a Cisco vende equipamentos de rede, enquanto essas empresas vendem computadores pessoais, servidores, sistemas de armazenamento e software.
Para analistas do setor, a entrada da Cisco no mercado de servidor irá perturbar a simbiose confortável entre elas e poderá causar uma guerra de Titãs. "Este será o mais importante e mais comentado produto do ano", disse Brent Bracelin, analista da Pacific Crest hardware Securities, à edição on-line do New York Times. "Haverá reações de ambos, IBM e HP, e isso irá conduzir a uma nova onda de consolidação da indústria."
Para os executivos da Cisco não haverá graves conflitos. "Vemos isto não como um novo mercado, mas como um mercado de transição", disse Padmasree Warrior, diretor de tecnologia da empresa. "Toda vez que há uma grande transição ocorre, as grandes empresas têm de competir em algumas áreas."
A tecnologia por trás dessa transição, de acordo com a Cisco, é o software de virtualização. Ao longo da última década, os softwares de virtualização têm experimentado uma ascensão meteórica por permitirem a execução de inúmeras aplicações de negócios, em vez de apenas uma em cada servidor físico, o que proporciona às empresas economia com energia e com a compra de hardware.
Os planos da Cisco são ambiciosos. Com a entrada no mercado de servidores, ela espera ir bem além dos US$50 bilhões do mercado de servidos, com a inclusão de software de gestão e possivelmente até o storage. "Nossa visão é: como nós fazemos para virtualizar todo o data center?", disse Warrior. "Não se trata de um único produto. Teremos uma série de produtos que nos permitem fazer essa transição."
Segundo pessoas próximas à empresa, ouvidas pelo jornal americano, a Cisco poderá mostrar o primeiro dos seus novos sistemas em março. A empresa não irá revelar a natureza exata do produto, embora essas pessoas tenham revelado que ela irá vender junto com um servidor de rede o software de virtualização desenvolvido em conjunto com a VMware, empresa na qual detém 2% de participação. Em vez de trabalhar como um sistema de propósito geral, o produto Cisco irá servir apenas para aplicações virtuais.
(TI Inside 19/01/2009)
CONTRATO COM SANTANDER
O Santander firmou contrato com a IBM para ter sua infraestrutura de TI gerenciada pelas operações brasileiras da americana pelos próximos cinco anos. Com o contrato, acertado com a Produban - responsável por toda infraestrutura do grupo espanhol -, a IBM fará o controle e direcionamento das operações do data center, o fornecimento de hardware e software, e o suporte técnico ao banco.
(Gazeta Mercantil - 19/01/2009)
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